
Uma história ao bom estilo Nancy Drew situada nos anos de 1800. É assim que podemos descrever o novo filme da Netflix, Enola Holmes.
Após o desaparecimento de sua mãe, Enola fica sob supervisão dos irmãos, que insistem em mandá-la a um internado. Decidida em procurar sua mãe, ela embarca numa jornada cheia de pistas, mistérios e conspirações que irão abalar o futuro dela e de toda a Inglaterra.
O filme se passa em meados de 1880 em Londres. Isso já diz muito sobre todo o cenário e vestuário do filme, que eu particularmente adoro, mas considerando que a história é na perspectiva da Enola, tudo ganha um ar mais jovem, um leve frescor comparado ao filme Sherlock Holmes interpretado por Robert Downey Jr.
Falando em atuação, a Millie Bobby Brown está sensacional no papel principal. Ela sofre quando tem que sofrer, chora quando precisa chorar, luta quando precisa lutar e quando precisa falar com a câmera, você esquece que é telespectador e se torna um amigo íntimo de Enola.
Aliás, esse é grande diferencial do filme: a quebra da quarta parede. O filme é dirigido por Harry Bradbeer, o premiado diretor de Fleabag, e não posso dizer que tive memórias da série durante o filme. A quebra da quarta parede é natural e a direção faz uso dela em momentos chaves e de forma envolvente.

Um ponto a se destacar é que o filme não foca em nenhum momento em Sherlock Holmes, apesar do parentesco. O filme é sobre Enola e a busca por independência em meio à uma sociedade que prepara as mulheres para os casamentos e eventos sociais. Aliás, a presença dos irmãos (Mycroft também está na história) e a insistência deles pelo internato só nos deixa mais conectados com a protagonista, já que hoje a visão dos irmãos é, no mínima, ultrapassada, fazendo a Enola uma vanguardista quando tenta provar que não precisa de ninguém para se encaixar no mundo.
Em paralelo à história de Enola acompanhamos o Viscounde Lord Tewksbury, um garoto de mesma idade da protagonista e que é peça chave de uma conspiração no governo. O sugestivo par romântico que se cria durante o filme nos deixa com aquele gostinho clichê de ‘quero mais’, ao mesmo tempo em que, dentro da proposta do filme, a presença do Tewksbury só enaltece os princípios de Enola.
O que mais gostei no filme foi o próprio mistério. Não é uma trama extremamente complexa, então acho que qualquer pessoa consegue assistir. Ao longo do filme, Enola vai descobrindo algumas pistas e utiliza de todos os acontecimentos que sua mãe lhe ensinou durante a infância para solucioná-los. Além disso, utiliza várias deduções lógicas para chegar à conclusões certeiras (ou nem tanto) sobre o que está acontecendo em Londres.
Filme é leve, constante e tem um desfecho super inspirador. Acho que a Netflix tem que apostar nesses pequenos talentos que já estão arrasando nas produções. Millie Bobby Brown não decepciona nem um momento e vai te deixar com vontade de assistir a próxima (quem sabe) aventura de Enola Holmes.
- Nome original: Enola Holmes
- Direção: Harry Bradbeer
- Gênero: Mistério
- Ano de lançamento: 2020
- País: Estados Unidos / Inglaterra
- Duração: 123 minutos
- Disponível na Netflix
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